Sobre curar a dor com amor – Entrevista com Juliana Riqueza

Quando resolvi empreender o meu propósito da comunicação quântica não imaginava a quantidade de portas abertas e pessoas incríveis que eu entrevistaria.

Sempre fui apaixonada por gente. Acredito que o compartilhamento de ideias, durante uma entrevista pode colaborar, para além do meu currículo, como uma forma de aprendizado pessoal e coletivo.

Este site, o Lugar de Fala traz em si o propósito de permitir que cada pessoa expresse a sua experiência ou o seu ponto de vista sobre a vida de maneira a construirmos pontes significativas de amor e crescimento; Sentimentos que traduzem para mim a felicidade verdadeira.

Conheci a Juliana Riqueza durante uma imersão/formação de voluntariado na Organização Social Canto Cidadão em 2012.

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Acervo/facebook: Yve de Oliveira

Lá aprendemos a técnica do palhaço e passamos a exercitar o bem por meio das nossas personagens Doutoras-Palhaças.

Organizando a minha pauta de entrevistas me deparei com um pedido pessoal dela para participar do meu programa Lives de Segunda sobre educação. Fiquei muito curiosa e feliz por perceber que teria ali uma grande história para contar, bem como lições preciosas para integrar à minha essência.

Como o fuso horário África-Inglaterra se tornaram um obstáculo sugeri a gravação da nossa entrevista, porém o vídeo tão aguardado, não ficou registrado conforme eu esperava no meu celular.

Com o desafio da reportagem nas mãos decidi trazer os meus registros de memória da nossa conversa para você que busca viver com mais alegria e autoconhecimento.

Uma história de voluntariado e cura da depressão

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Acervo/facebook: Juliana Riqueza

Yve de Oliveira – Ju, te conheci realizando um trabalho voluntário como doutora palhaça, desde então, como você continuou o seu caminho? Se manteve nesse propósito?

Juliana Riqueza – Olha, desde criança eu tenho essa vontade de ajudar as pessoas e já havia me envolvido em diversos trabalhos voluntários, porém sempre me imaginei atuando como os Doutores da Alegria. Nessa busca encontrei o Canto Cidadão, onde atuei durante dois anos atendendo a clínica de queimados no Hospital das Clínicas em São Paulo. Como sou carioca resolvi voltar para o Rio de Janeiro e continuei ajudando as pessoas de outras formas, muitas vezes servindo quentinhas para pessoas em situação de rua. Também já cheguei a sair no natal vestida de Papai Noel munida de meias e outras roupas que haviam em casa para entregar a quem precisava. Aprendi com essa experiência que muitas dessas pessoas precisam mais de nós, do nosso abraço e amor do que bens materiais.

Yo- Assisti um vídeo seu no facebook contando sobre situações que te levaram à depressão e que, ao mesmo tempo, te resgataram para uma experiência muito bonita de amor ao próximo. Você pode nos contar essa história?

Ju– Estava tudo bem na minha vida. Eu trabalhava há muito tempo em banco, tinha um bom salário, estava grávida e casada, mas de repente, em um ano e meio eu não tinha mais nada. Perdi meu filho, me separei, perdi o emprego e entrei em uma tristeza profunda. Não queria levantar da cama, sair de casa e muitas vezes até torcia para chover por que assim, nenhum dos meus amigos teria motivos para me chamar para sair.

Então, comecei a procurar alguma coisa que pudesse me preencher, alguns intercâmbios para aprender inglês e foi aí que eu encontrei o One World University, um programa de doze meses, onde eu ficaria na Inglaterra 6 meses aprendendo sobre voluntariado e depois mais seis meses na África como professora de português para adultos, em Changalane, Moçambique.

Yo – E como esta experiência na África impactou sua vida?

Ju– O que mais me impactou quando cheguei lá foi perceber que, embora a população vivesse em um estado de miséria eles não sabiam que eram pobres, não tinham essa referência. Não sabiam que existe escada rolante, por exemplo, ou que o planeta terra gira; inclusive, quando contei este fato para os alunos eles riram muito achando que fosse mentira.

Em contrapartida e apesar disso, eles são felizes. Vivem sorrindo o tempo todo e mesmo sem tantos recursos me ajudavam e me presenteavam sempre com o que tinham. Me traziam frutas, compartilhavam a casa para que me hospedasse e até me emprestaram dinheiro quando precisei. Aprendi que a felicidade independe dessas conquistas materiais que eu estava acostumada e à medida que eu comecei a expandir o meu olhar para essa corrente do bem, muitas outras coisas boas começaram a acontecer na minha vida.

Yo- Muitas pessoas buscam nos medicamentos, drogas e relacionamentos vazios paliativos para esquecer tristezas, frustração e até depressão. Como você enxerga essa questão do vazio existencial?

Ju– Muitas vezes quando a pessoa está com depressão ela toma um medicamento para se anestesiar. É como se a casa dela estivesse pegando fogo, ela tivesse ouvido o alarme de incêndio, porém, ao invés de apagá-lo apenas decide desligar o alarme.

Ou seja, a causa do problema não foi sanada, e, em algum momento a casa vai incendiar. Então é preciso curar a causa da tristeza. Eu estava triste, achando que tudo estava acabado, me lamentando sobre o que eu havia feito de errado para estar vivendo aquela situação. Sabe, o nosso mal é querer se enquadrar nos padrões da sociedade. Em achar que estamos certos anulando a nossa essência para cumprir o que a sociedade nos manda fazer. Achar que temos obrigação de nos formar, casar, ganhar mais e mais dinheiro, comprar, porque nessa busca é que acabamos nos esquecendo porque estamos vivos.

Eu acredito que existe um motivo maior na nossa existência e precisamos parar de nos enquadrar nesses rótulos, nos ouvir, para então, encontrar o nosso verdadeiro propósito. Afinal, somos nós que escolhemos como vamos lidar com as situações que nos acontecem.

Yo- Como responsabilizar os outros sobre as nossas tristezas e problemas?

Ju– Sim, muitas vezes buscamos responsabilizar os outros. É claro que pode realmente ter ocorrido um erro da outra parte, mas nós podemos escolher conviver com a raiva, sentimento de vingança ou perdoar. Até porque, acredito que tudo o que a gente emana fica conosco podendo nos adoecer. Para mim não perdoar é como encher um copo de veneno e tomar. É como calçar um sapato número 36 sendo que você usa 40. Se você insistir em usar o número menor com certeza vai acabar com o pé machucado, então porque não comprar um 40 e ser feliz do jeito que se é? Às vezes, quando compartilho minha experiência nas redes sociais fico reflexiva em perceber os comentários de parabéns sobre a minha escolha. Elas falam como se o fato de fazer voluntariado me tornasse uma pessoa melhor que elas.

Yo- Isso porque você não leva a bandeira do voluntariado como uma questão de vaidade. Embora, algumas pessoas até possam gostar desse feedback. Ao mesmo tempo, vemos que existem muitos admiradores do bem, porém sem qualquer vontade de realizar algo para o coletivo.

Ju– Pois é, as pessoas vêm mostrando um grande medo de amar, por conta de suas feridas anteriores e isso impede o compartilhamento e a conexão entre as pessoas. Mas, somos seres que vivemos mais felizes por meio das relações. Quando escuto esses comentários eu reflito sobre tudo isso. Não me considero uma pessoa tão boa assim, eu falo sobre voluntariado e faço isso para mim, por mim, porque faz bem para mim. Não sou melhor que ninguém por causa disso.

Yo- E como você citou, essa atividade te ajudou a expandir o seu olhar para novas possibilidades, certo? Inclusive a cura da sua depressão.

Ju– Sim, eu entendo a vida como uma grande corrente do bem. Uma rede que quanto mais você se propõe a ajudar os outros, mais ela aumenta, trazendo ainda mais ajuda e bondade para você também. E veja, antes de chegar na África, quando eu ainda estava nos meus primeiros dias de formação aqui Inglaterra ficava reclamando o tempo todo. Reclamava que o cardápio vegetariano não estava sendo servido, que havia equipes deixando de fazer a limpeza e agora me vejo completamente grata. Grata porque tenho alimento, água quente para tomar banho, para lavar meus pés, para beber. Grata porque tenho lugar para dormir. Todas as coisas que a população que eu convivi não tem acesso.

Yo- Ju, depois do seu post no facebook você abriu um canal no youtube para espalhar ações do bem. Conte-nos mais sobre essa proposta?

Ju– Eu tenho convicção que o meu o propósito é ajudar as pessoas que sofrem de depressão, por isso resolvi gravar pílulas para resgatar a vontade de viver através dos trabalhos no bem. Porque é muito simples fomentar esse ciclo de bondade. Ajudar algum desconhecido, oferecer um sorriso ou um abraço, ouvir aquela senhora idosa que quer desabar durante o trajeto de ônibus. E ás vezes, vale começar a agir mesmo sem vontade. No início pode ser à contragosto, mas durante o processo as coisas vão mudando e a nova atitude vai nos ajudando a ver o mundo de uma outra maneira. Acredito sinceramente que a cura para a depressão está no serviço do bem. Quando a gente ajuda o outro, temos a chance de perceber que a nossa dor não era tão importante assim e é nessa hora que a nossa mente se expande para além dessa programação mental que vivemos atualmente. Isso é que traz a verdadeira felicidade.

Para conhecer o canal da  Juliana Riqueza no Youtube acesse: https://www.youtube.com/channel/UCnsWLKrdmX5B_7T5zrersaQ

Perfil Faceboook: https://www.facebook.com/julynobrega

Reportagem: Yve de Oliveira

 

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