Artista do grafite guarulhense Claudinei Guimarães revela sua trajetória e a paixão pelas artes visuais

A arte é uma ferramenta que o ser humano se utiliza para expressar suas ideias, essência, impressões, talentos, reflexões.

Por meio das artes visuais como a fotografia, pinturas, esculturas e grafites desvendamos a nossa trajetória pessoal e histórica. Aprendemos como os diversos povos do nosso planeta viveram e ainda vivem, bem como suas ideologias e o seu o seu jeito de ser e estar no mundo.

Apaixonado por esse universo histórico das artes no mundo, o artista do grafite Claudinei Guimarães descobriu cedo que esta seria o seu propósito de vida, tendo se especializado, a partir deste momento em diversas técnicas.

Graduado em artes visuais e especializado em História e Crítica de Arte, Claudinei atua como professor da rede estadual de ensino, leciona oficina de artes em alguns CEUs de Guarulhos e já participou de exposições coletivas e individuais.

Nesta entrevista, o artista compartilha suas experiências profissionais nas artes visuais, bem como suas diversas em busca da arte em países como a França, Inglaterra, Dubai, Egito, Grécia, Itália, Turquia, Hungria, Peru, Chile, Argentina, Sri Lanka, Irã, Espanha, Portugal, Gibraltar, Suíça e Bolívia.

11214119_1129458080415057_8833410647697753121_n

Yve de Oliveira – Claudinei, quando você percebeu que tinha facilidade em se expressar por meio do desenho? Quando criança já tinha essa vocação apurada ou foi desenvolvendo com o tempo?

Claudinei Guimarães – Bom, a vontade de me expressar através do desenho e da pintura vem desde criança, mas foi durante um curso de pintura na adolescência, que meu interesse pela arte aumentou, pois tive incentivo da professora desse curso para fazer a faculdade de artes onde realmente desenvolvi trabalhos e aprendi muitas técnicas.

YO – Você tem formação em artes visuais, é especializado em história e crítica de arte e atua como professor. Como a arte pode impactar a vida de uma pessoa? Existe de fato algum interesse das novas gerações na pesquisa e produção artística?

CG – Eu vejo a arte como algo libertador, muitos alunos perguntam, para que estudar arte se não queremos ser artistas? A resposta é muito simples: estamos rodeados de arte e expressões artísticas por todos os lados, seja na música, na dança, no teatro ou na fotografia. Quanto ao interesse na pesquisa e produção artística eu percebo mais obviamente em oficinas que ministro do que dentro da escola.

YO -Em qual momento o grafite apareceu na sua vida?

CG -Inicialmente pintava em telas, mas sentia a necessidade de explorar suportes maiores e mostrar a arte fora de uma sala fechada, então comecei a participar de um encontro que acontecia todo mês no Lago dos Patos, em Guarulhos, um projeto em parceria com Adriana Lins, chamado de Encontro e Intervenções.

YO – Como acontece o seu processo de criação? Quais são as suas inspirações ou artistas de referência tanto nas artes plásticas, quanto no grafite?

CG -Tudo serve como inspiração, inclusive as viagens que faço. Inicialmente as ideias vieram de um laboratório de criação nas aulas da faculdade, lá comecei um projeto de poética pessoal onde unia prédios e árvores, que na verdade é o diálogo e conflito entre o homem e a natureza. Gosto muito do movimento surrealista e alguns artistas como: Salvador Dali e Escher. No grafite posso dizer que as inspirações são meus amigos grafiteiros de Guarulhos e também gosto das intervenções dos artistas Banksy, PichiAvo, Os Gêmeos, Kobra, entre outros.

YO – Porque você escolheu espalhar a sua arte nos muros e não em galerias? Você acredita que, de alguma maneira, o grafite pode ser uma forma de democratizar o acesso às artes plásticas?

CG -De certa forma os muros estão mais acessíveis e menos burocráticos, apesar de também já ter participado de algumas exposições. Realmente o grafite é uma excelente forma de levar arte a qualquer pessoa, conheço trabalhos incríveis que seriam pagos para ver, mas hoje estão espalhados por ai, e isso é muito bom.

YO – Uma de suas marcas no grafite é o desenho de um olho entre elementos arquitetônicos como prédios. Qual o motivo da escolha deste símbolo? O que esses olhos pretendem provocar em quem os observa?

CG -Inicialmente os ícones principais eram as árvores e os prédios como disse, porém havia a necessidade de algo, e encontrei no olho estilizado, uma forma interessante para fazer parte das ideias. Assim como em muitas linguagens artísticas, o meu grafite é em sua maioria subjetivo, ou seja, cada um pode interpretar de uma maneira diferente e o olho faz esse diálogo, que talvez está de olho em determinadas situações. Já disseram, inclusive, que era o olho dos Illuminati.

YO – Quem te acompanha pelas redes sociais pode notar a quantidade de registros fotográficos realizados nas suas diversas viagens pelo mundo. Quantos países você já visitou até o momento e o que te motiva a viajar tanto?

CG -Atualmente visitei 25 países, além do gosto pela fotografia e explorar novos ares, uma das coisas que me motivou foi ter estudado a história da arte e querer ver tudo pessoalmente como os grandes museus, obras de arte, arquiteturas e claro, vivenciar a cultura local.

38851665_226816568027462_7410982875455029248_n

YO – Quais foram as experiências mais emocionantes que já viveu até agora em uma viagem e qual o maior perrengue que você passou?

CG -Sem dúvidas o maior perrengue foi ter ficado três dias nas montanhas do Peru sem recursos e comunicação, e também ter ido parar na cadeia em Dubai como suspeito de terrorismo por estar fotografando uma mesquita pela madrugada! Quanto às experiências citar uma só é até complicado, porém dentre as mais legais foram: Andar de Balão na Capadócia, pilotar um tuc tuc atravessando o Sri Lanka, ter conhecido o bairro mais grafitado de Miami, o Parthenon (Grécia) e o Coliseu (Roma), ter feito um grafite nos famosos Cadillacs em Amarillo no Texas, entre outras coisas que me deram muito prazer!

YO – Você já participou de algumas exposições coletivas e individuais, entre elas “Meu Olhar pela Europa em 2011”, bem como promoveu oficinas de arte nos CEUs de Guarulhos. Conte-nos um pouco mais sobre essas experiências. Já existe alguma proposta para futuras exposições?

Trabalhar com oficinas é incrível, foram mais de dois anos de oficinas dentre elas pintura, desenho, escultura, grafite e gravura e foi uma experiência muito bacana! Quanto a exposições eu estou fazendo uma seleção para uma futura exposição fotográfica, mas não sei se acontece ainda no ano que vem, porque a ideia agora é tirar uma licença no Estado como educador e morar em Portugal por no mínimo um ano.

Para conhecer mais sobre o artista Claudinei Guimarães acesse:

Instagram: @claudinei.monteiro

Facebook: Claudinei Monteiro Guimarães

Blog: Claudineim.blogspot.com

Reportagem: Yve de Oliveira

Fotos: Acervo pessoal Claudinei Guimarães/Facebook

Anúncios

3 comentários Adicione o seu

  1. Claudinei disse:

    Parabéns Yve, sempre no incentivo à Cultura, obrigado por mostrar mais uma vez um pouco do meu trabalho em Guarulhos, seu trabalho como comunicadora é incrível 😉

    Curtido por 1 pessoa

    1. Lugar de Fala disse:

      Gratidão querido!! Muito obrigada pela confiança e pelo apoio ao meu trabalho!! :* :* :*

      Curtir

    2. Lugar de Fala disse:

      ❤ ❤ gratidão

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s