Até tu Narciso!

Dizem que os olhos sãos espelhos que refletem o que temos lá, naquele espaço subjetivo chamado alma.

Dizem ainda, que é na alma onde encontramos a essência, a verdade de cada um de nós, na perspectiva do quem somos, como somos, como funcionamos, de forma multidimensional.

A incoerência é não termos olhos duplos para nos enxergar na mesma medida que enxergamos o mundo.

E é por isso, que talvez busquemos infinitamente o contato dos olhos nos olhos, nos olhos dos outros, a fim de encontrarmos o que nunca saiu de nós.

Assim, nos encantamos ou desencantamos na vida.

Muitas vezes estamos feitos Narcisos nos admirando no espelho dos olhos dos outros, encantados pela nossa própria essência transformadora.

Em outros momentos parecemos petrificados, como atingidos pela maldição da medusa, cegos que estamos da reflexão do para que estamos nesta Terra.

Seria então essa a importância do outro? Nos servirmos de guia? Feito espelhos a nos refletir as incoerências e as qualidades no caminho do desenvolvimento?

Quem dera ter espelhos para enxergar a mim mesma, a fim de andar por aí de alma desnuda, refletindo no mundo só aquilo que há de bom.

Texto: Yve de Oliveira

Ilustração: The Economist

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